“CHEGUEI AOS 30 E AGORA!?”

Sobre a força que supera a crise



JOSÉ GABRIEL DE PAULI VITÓRIO

(Grupo de Jovens CMPS)



     Em agosto de 2016, fiz uma inscrição para um retiro de jovens em Guaratinguetá. Depois de alguns dias, recebi um e-mail de confirmação da irmã responsável, porém, no e-mail, ela dizia que dessa vez seria possível porque eu já havia depositado o valor referente ao encontro, mas, na próxima vez, eu teria que me inscrever no retiro reservado aos adultos, pois se tratava de encontro de jovens, cuja idade variava de 18 a 29 anos. Lendo aquele e-mail, tudo fez sentido. Aquela meia horinha de corrida matutina, já não queimava tantas calorias como antigamente. Nos aniversários a que tenho sido convidado, não faltam brigadeiros e beijinhos, pois geralmente são festas dos filhos dos meus amigos. Enfim, já tenho 30, e agora?
Muitos homens em torno dos 30 anos - para alguns um pouco mais, podendo alcançar os 40 - sofrem um período marcado por angústias, dúvidas e incertezas. Especialistas chamam da crise dos 30 e vem acometendo um número cada vez maior de pessoas.
      O envelhecimento, apesar de ser um processo normal, torna as pessoas vulneráveis e é nessa vulnerabilidade que a crise se instala. Uma angústia associada à ideia de que a juventude ficou para trás e perdida. Sentimentos que surgem acompanhados da fantasia de que, na idade atual, não é mais possível arriscar, realizar sonhos ou ambições, uma ideia de que não há mais tempo para finalizar o que ficou inacabado, reavaliam o que gostariam de ter feito ou de ter feito diferente.
      É um período marcado pela pressão para crescer, não há como voltar atrás, a maturidade e a independência chegam acompanhadas do peso da responsabilidade. Num mundo, onde se cultiva o Mito da Juventude, envelhecer representa um imenso desafio e muitos buscam meios de fugir e a crise é uma consequência. Mas há aqueles que estão bem no corpo, estão super-saudáveis, as rugas nem ameaçaram aparecer. Já tiveram o primeiro filho, realizaram aventuras, viagens, alcançaram estabilidade financeira e são frequentadores assíduos dos encontros de casais. Eles têm vida social satisfatória. Porém, se  pegam questionando sobre o sentido da vida. Será que se eu tivesse deixado para ter casado mais tarde não teria aproveitado mais a vida? Tendo realizado tudo isso, porque ainda me sinto incompleto, insatisfeito? Será que não assumi responsabilidades demais? Bem-vindo à crise dos 30 anos!
     Muitos vivem um drama terrível ao ver que deixaram para trás as decisões que a vida lhes pediu e, nesta hora, sentem-se “meio que sobrando”. Outros se sentem culpados por terem tomado decisões erradas. Assim, chega a hora de se confrontar com a própria verdade e assumir posturas frente a tais questionamentos.
     Fico pensando em como precisamos ter o olhar de esperança nesta hora. E se o conforta saber, foi nos auge dos 30 anos que um grande Homem resolveu dar Sua grande resposta de vida. Aos 30 anos, Ele resolveu sair de casa e cumprir Seus objetivos. Foi capaz de fazer as mais sólidas amizades, amizades de, literalmente, dar a vida! Na idade balzaquiana, Ele foi capaz de enfrentar Seus medos e de levar a bom termo o que trazia no coração. Foi nessa idade que Ele realizou Suas maiores façanhas, enquanto homem e enquanto Deus. Sim, eu falo de Jesus. Aos 30 anos, Ele iniciou uma nova e determinada vida, soube colocar-Se no mundo de uma maneira inovadora.
     Como cristãos, temos para quem olhar e assim aproveitarmos este tempo de profunda reflexão e dar boas respostas. A crise dos 30 anos (aqui pode ser aos 20, aos 35, aos 50), pode ser um momento, em que cansados de fazer, paramos para pensar e percebemos o absurdo em que estamos vivendo. Um absurdo de termos separado nosso eu interior do mundo exterior, fragmentando-nos em meio às demandas da vida. Nesta hora, chegamos à conclusão de que buscar a inteireza é possível.
     Ao contrário do que imaginamos, não somos “sobras”, mas uma oportunidade de criar novos grupos. Nosso grupo de Jovens da Comunidade Missionária Providência Santíssima, na cidade de Mococa, é um bom exemplo. Ao contrário do que imaginamos, é um grupo de jovens, porém jovens adultos, maduros e que estão buscando este encontro pessoal com Deus.
A escolha pela felicidade requer a coragem de um enfrentamento com aquilo que nos incomoda. Como Jesus, você pode usar a experiência de uma vida para encarar a verdade de frente e ter uma causa pela qual vale a pena lutar.
     Infelizmente, a palavra crise é vista de forma negativa. Mas, ao contrário, é sinal de transição, de saída e de movimento. Como você a encara é o que determina como dela você sairá! Com quem você a viverá também faz grande diferença: sua esposa, seus amigos próximos, com quem você livremente fala de suas angústias, podem ajudá-lo a alargar sua visão. Um bom diretor espiritual e, em alguns casos, até um bom terapeuta, pode estar com você neste momento de “redirecionamento”. Como Beato Pier Giorgio Frassati disse uma vez: “Para viver sem fé, não ter patrimônio para defender, para deixar de lutar constantemente para defender a verdade: isso não é viver.É fingir que se vive. Nós nunca devemos fingir que vivemos, mas realmente viver”.
      Uma coisa é certa, a crise deve ser vivida com inteligência e encarada com sabedoria. Você não é descartável e nem superficial, assim nos ensina nosso querido Papa Francisco a dizer não a essa cultura efêmera que nos molda como sendo incapazes de enfrentar os desafios da nossa vida, afinal, temos um parâmetro a seguir, e esse parâmetro é perfeito: esse parâmetro é Jesus.
 

 

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