“SILÊNCIO”

Uma linguagem de Deus



IR. GABRIEL BARBOSA FARIA NEDER, MPS

(Irmão Consagrado da CMPS)



    Há tantas almas, disse nosso Senhor a Santa Teresa, tantas almas às quais Eu quisera falar, mas o mundo faz tanto barulho dentro delas que minha voz não pode ser ouvida. Assim, como nos ensina a Igreja Católica Apostólica Romana, “Mater et Magistra”, podemos perceber que o Catecismo da Igreja mostra-nos formas de Oração e de escuta a nosso Senhor.No capitulo III (A vida de Oração), relatamos as expressões de oração: a oração vocal, a meditação e também a oração mental, que Santa Teresa explica-nos o que é: “A oração mental, a meu ver, é apenas um relacionamento íntimo de amizade em que conversamos, muitas vezes, a sós com esse Deus por Quem nos sabemos amados”(CIC,2709).
    Como não entender isso como um profundo silêncio, um silêncio que nos coloca diretamente em contato com o Divino. Sem dúvida, nosso Senhor nos fala através de várias formas, mas o lugar apropriado para se escutar a voz de Deus é o “Santo Silêncio”. Thomas Merton assim nos ensina: “O silêncio é a linguagem de Deus”.
    O silêncio para ouvir nosso Senhor é fulcral, por isso, a vida de oração tem que ter como base o “Silêncio”, se não houver silêncio, corremos o risco de nos perder e de virarmos cães que são guiados pelo instinto e não pela graça e a voz do alto.
“Aprendemos que de fato nosso Senhor fala através de muitas maneiras ao nosso coração, porém o “Silêncio” é a linguagem de Deus, o lugar privilegiado para o relacionamento do homem com Deus “É neste silêncio, insuportável ao homem “exterior”, que o Pai nos diz Seu Verbo Encarnado, sofredor, morto e ressuscitado. (CIC 2717)
    Que possamos, aos poucos, fazer esse grande exercício, que é o silêncio, e assim aprender a escutar a nosso Senhor. Não podemos correr o risco de ficarmos estéreis em nossas ações, pois, podemos trabalhar a vida inteira para nosso Senhor, sem conhecê-Lo.  O Silêncio nos dá a graça de ficarmos com Jesus e de escutá-lo, e, escutando-O, sentimo-nos seguros, não O escutando, perdemo-nos. Isso é Fato!
Não podemos ter uma ideia errônea de que o silêncio, por ser algo sublime, está fora de nosso alcance, muito pelo contrário, é algo muito acessível, porém requer muito exercício. O silêncio, ou a vida interior, não é para nos levar a uma vida intimista, mas  para abrir o homem a Deus e, automaticamente, ele se abrirá aos outros.
    O rezar e o silenciar não significam fazer alguma coisa; mas estar com uma Pessoa, colocar-se à escuta de Alguém que deseja profundamente falar ao coração. É óbvio que não vamos escutar nosso Senhor falando ou sussurrando em nossos ouvidos, porém, aos poucos, vamos aprendendo que Ele fala através das circunstâncias da vida, através de momentos fortes de nossa vida e história. Essa graça de escutar a nosso Senhor manifesta-se através do silêncio. Não quer dizer que não escutamos nosso Senhor de outras formas, mas o “SILÊNCIO” é o lugar privilegiado da escuta.
    “Calem-se todos os doutores: emudeçam  as criaturas todas em Vossa presença: falai somente Vós”.

 

Comunidade Missionária Providência Santíssima

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